Exposição “Mais belo é o rio que corre” propõe reflexão sobre a força dos rios e das confluências
Mostra integra a programação prévia do Festival Sesc de Inverno 2026 e reúne mais de 100 obras de artistas de diferentes países em torno dos rios, das confluências e das urgências ambientais
Como parte da programação prévia do Festival Sesc de Inverno 2026, o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, inaugura no dia 27 de junho a exposição “Mais belo é o rio que corre”, com visitação gratuita até fevereiro de 2027. Com curadoria de Marcelo Campos e assistência de curadoria de Rodrigo Duarte, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas sul-americanos e de outros continentes em diferentes linguagens artísticas para refletir sobre os rios como espaços de encontro, memória, resistência e transformação.
Partindo da imagem do encontro entre rios, “Mais belo é o rio que corre” toma a confluência como conceito central. Quando dois rios se encontram, eles podem correr lado a lado por algum tempo, preservando cores e densidades distintas antes de se combinarem. Mesmo unidos, não deixam de carregar suas origens. A confluência, nesse sentido, é entendida como um encontro que amplia, fortalece e transforma, sem apagar diferenças.
Em diálogo com a poética de Alberto Caeiro e o pensamento de Antônio Bispo dos Santos, a exposição emerge dos meandros das águas e escorre pelos fluxos da confluência entre saberes, pessoas e temporalidades. A proposta dialoga diretamente com o conceito do Festival Sesc de Inverno 2026, que celebra o verbo “afluir” como gesto de encontro. Ao tomar a confluência entre rios como metáfora, a exposição amplia esse debate para pensar as relações entre arte, natureza e sociedade, valorizando a convivência entre diferentes saberes, territórios e modos de existir.
Esse diálogo se expande também para a literatura, com a participação de importantes autores contemporâneos que contribuem com textos inéditos especialmente desenvolvidos para a exposição. Estão presentes textos de Leda Maria Martins, Jeferson Tenório, Itamar Vieira Junior e Marcia Kambeba. Suas escritas aprofundam as reflexões propostas pela mostra, trazendo perspectivas sobre memória, território, ancestralidade e modos de existência.
“Mais belo é o rio que corre” reúne artistas e obras de diferentes territórios, principalmente da América Latina, entre eles Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, além de países como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras observam lugares fronteiriços e reconhecem os rios como entidades vivas, fundamentais para a manutenção da biodiversidade, dos ecossistemas e dos ciclos da vida.
Entre os destaques está uma instalação inédita do artista chileno Alfredo Jaar, concebida para a cúpula do Centro Cultural Sesc Quitandinha. O percurso inclui ainda experiências imersivas ligadas à arte cinética que dialogam com nomes como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, em instalações de luz e movimento que convidam o público a vivenciar experiências sensoriais próximas ao “banzeiro”, termo amazônico associado ao movimento intenso das águas e ao estado de vertigem provocado por elas.
Outro destaque é a instalação Serpentes, de Jaider Esbell, que ocupará, pela primeira vez, o lago do Centro Cultural Sesc Quitandinha. Composta por esculturas infláveis, a obra integra o percurso expositivo e amplia a relação da mostra com a paisagem e com a presença simbólica das águas. Também integram a exposição artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija Škarnulytė.
Ao reunir artistas, escritores e diferentes perspectivas sobre as águas, “Mais belo é o rio que corre” convida o público a pensar os rios não apenas como recursos naturais, mas como presenças vivas e indispensáveis. Em tempos de crise climática, a exposição propõe imaginar outras formas de coexistência, mais atentas à diversidade, à interdependência e à continuidade da vida.
SERVIÇO
Exposição “Mais belo é o rio que corre”
Local: Centro Cultural Sesc Quitandinha
Av. Joaquim Rolla, 2 – Quitandinha – Petrópolis
Abertura: 27 de junho de 2026
Período de visitação: 28 de junho de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Horário: terça a domingo e feriados, das 10h às 17h
Entrada gratuita
Programação de abertura – 27/06
10h às 14h – Abertura da exposição
11h – Performance Coral de Choros [Choratório], da artista Ana Raylander
